sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Luta pela Saúde Pública

Discutir saúde pública também é discutir o que é saúde. Sabemos como é difícil formular esse conceito, que tem uma dimensão um pouco subjetiva. Mesmo assim é importante apresentarmos uma reflexão ampliada do conceito, a reflexão da VIII Conferência Nacional de Saúde, que define saúde como uma resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e, por fim, acesso aos próprios serviços de saúde . O “ter saúde” não é somente ter um médico no centro de saúde ou mais hospitais, embora isso tenha a sua importância: passa pela adoção de políticas sociais e econômicas que propiciem igualdade social; ou mais ainda: pelo fim da exploração do homem pelo homem. Pensando dessa maneira, uma família abaixo da linha da pobreza, sem moradia, apresenta limitações quanto ao seu direito à saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado em meio a esse conceito e apresenta um caráter universalista nas praticas de saúde. “O SUS é para todos”. Sendo da classe alta ou da baixa, querendo ou não, mesmo sem saber, somos usuário do SUS. Tanto uma pessoa de classe alta, ao jantar em restaurante sofisticado, por exemplo, já que a vigilância sanitária é do SUS, quanto toda a classe média, num momento como o período de vacinação.
Mesmo com uma grande vitória e mudanças significativas nas políticas de acesso da saúde no Brasil, sabemos que o SUS, infelizmente, não é defendido por todos. Vários são os problemas que a saúde pública enfrenta, principalmente pela falta de um real financiamento, capaz de garantir a universalidade, a igualdade e a integralidade do acesso.
Segundo Francisco Junior (Conselho Nacional de Saúde), foi colocado em prática um projeto de transferência dos recursos financeiros e do patrimônio do SUS para grupos político e econômicos e corporações privadas, bem de acordo com a nossa cultura e a nossa história. Tudo ocorreu, diga-se, sob um assustador, constrangedor, vergonhoso e comprometedor silêncio. Vemos, então, um processo de ataques privatizantes ao SUS, tanto nas relações de trabalho como as terceirizações; tanto na gestão dos serviços, como as OS's, OSCIP's, ONG's, enfim, nas empresas “parceiras”, que na verdade são formas de privatização da saúde pública. As Organizações Sociais já sofrem denuncias em todo o país, e existe a suspeita de um rombo de quase R$147,18 milhões dos hospitais de São Paulo, mostrando que o argumento da eficácia e da agilidade dos serviços são disfarces de setores reacionários. 
É de extrema importância o controle social do SUS, com a participação dos usuários nos Conselhos de Saúde. Entretanto, essas instâncias também sofrem ataques. Vemos hoje o próprio ministro da saúde como o presidente do Conselho Nacional de Saúde; em muitas cidades, os conselhos são manipulados por gestores e as deliberações não são cumpridas; já existem em conferências delegados profissionais que estão alinhados a grupos governistas. É, portanto, imprescindível  a  ocupação destes espaços de maneira politizada, para um verdadeiro embate.                     
 Está claro que defender o SUS é lutar contra fortes setores econômicos e políticos, como a indústria farmacêutica, os planos de saúde, as empresas de saúde, que tratam as questões de saúde com lógica de mercado. Vale ressaltar que em várias cidades já existem fóruns populares de saúde e frentes em defesa do SUS que são capazes de, minimamente, aglutinar entidades e lutadores, capazes de unir a todos e todas que defendem o SUS idealizado em 1988, com todos os seus princípios.  Essa luta não é apenas dos militantes da saúde, mas de toda população brasileira

 Ellen Naiara, aluna de Terapia Ocupacional - UFMG  



domingo, 5 de junho de 2011

MP520: UMA BATALHA QUASE VENCIDA



Ocorreu no dia 2 de Junho nossa primeira vitória contra mais um ataque ao SUS. A MP520 que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares seria uma entidade de natureza privada que funcionaria como uma espécie de "central" dos hospitais-escola de 45 Universidades federais autônomas. A MP representa um retrocesso no sistema de saúde no Brasil e precisaria ser votada até meia-noite do dia 2 de Junho caso contrário ela caducaria, pois passaria o prazo de 6 meses após a edição pelo Poder Executivo. A votação no Senado começou por volta das 23 horas, mas devido a muito bate-boca e brigas a maioria propôs que fosse votado primeiro a MP521 que basicamente dá reajuste para médicos-residentes.

Fomos salvos então, a MP520 caducou e agora ela precisa ser novamente editada pelo Poder Executivo e aí volta a tramitar no Poder Legislativo.

Entenda:
FHC proibiu os concursos para funcionários que faziam serviços do tipo faxina e limpezas em geral, esses empregados foram se aposentando e saindo e não foram sendo repostos, passando então a responsabilidade da folha de pagamento para os hospitais. Em média 40% da verba disponível dos Hospitais são para o pagamento dos funcionários terceirizados, apesar de que, há extremos como no caso de Alagoas em que 80% da verba é destinada a pagar os servidores. Em 2006 o TCE declarou ilegal a situação dos 26 mil servidores e exigiu uma solução até 2010, a “solução” foi tomada no dia 31 de Dezembro de 2010 pelo Presidente Lula com a MP520 que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. 

Segundo a MP os novos funcionários serão admitidos não mais pelo regime estatutário, mas sim pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e a instituição poderá cobrar pelos serviços oferecidos. Além disso, a empresa pública será administrada sem previsão de qualquer espaço de controle social. A MP deixa claro que a empresa pode administrar e celebrar contratos com qualquer unidade de saúde não só os hospitais universitários. No artigo 4º, onde se estabelece suas competências está:

I – administrar unidades hospitalares, bem como prestar serviços de assistência médico-hospitalar e laboratorial à comunidade, no âmbito do SUS;

Ou seja, o governo criou uma nova forma jurídica privada, com a possibilidade de administrar não só os hospitais universitários, mas, qualquer unidade hospitalar no âmbito do SUS.

Vale lembrar que os Hospitais Universitários são pólos de pesquisa e com a MP, há o risco de comprometimento da pesquisa, já que muitas podem ser preteridos por não gerarem lucros.

O DANUT crê que a nova empresa pública não vai resolver os graves problemas que existem hoje nos Hospitais Universitários e ainda vai trazer consequências futuras profundas em sua maioria prejudiciais tanto a servidores, quanto a estudantes, docentes e usuários do SUS.

Usuários do SUS:

A nova empresa fará contratos temporários, e como consequência a qualidade no serviço prestado irá cair. Há também a possibilidade de cobrança por consultas e procedimentos, como já acontece hoje nos hospitais de São Paulo geridos pelas Organizações Sociais. 

Estudantes / Docentes:

A desvinculação do Hospital das Clínicas à Universidade Federal trará graves prejuízos à qualidade do ensino. Pelo atual projeto, estão ameaçados também os estágios. Outro fator de prejuízo é que os estudantes ficaram sobrecarregados com o trabalho e os residentes superexplorados.

A edição  da MP 520, no último dia do mandato do Presidente Lula, representa um retrocesso no fortalecimento dos serviços públicos, sob o controle do estado, pois traz a tona, mais uma vez, o debate acerca da concepção de Estado. No campo da academia, sendo o HU gerido por uma empresa de direito privado, terá por princípio o cumprimento de metas e, portanto, atentando à prestação de serviços. Temos de seguir vigilantes, apesar dessa batalha ter sido ganha, a guerra continua e temos de derrotar definitivamente a MP520 agora chamada de PLV 14/2011, assim como a criação da EBSERH. 


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Roda de conversa MP 520

"No campo da academia, sendo agora o Hospital universitário gerido por uma empresa de direito privado, que terá por principio o cumprimento de metas e, portanto, atentando prioritariamente a prestação de serviços, como ficam o ensino e a pesquisa? Em outras palavras, o que será feito da autonomia da universidade (conforme o artigo 207 da Constituição Federal de 1988), da gestão democrática, do acesso ao HU e, principalmente, de seus cursos? Todos esses aspectos ficarão subordinados ao projeto da EBSERH ou aos projetos aprovados nas instâncias deliberativas da universidade?"
 
Venha saber um pouco mais e discutir conosco sobre saúde pública e o ataque que o SUS está sofrendo dento da nossa universidade.  Sexta, 20 de maio, 18 horas, no CAFITO.
Com a presença de Bernardo Pilotto-PR  


Aguardamos sua presença....

DANUT-UFMG GESTÃO 2011-2012 
 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

“UM BRINDE A PORTARIA 034”

No dia 10 de maio de 2011, foi realizado o Ato ManiFesta UFMG com intuito de demonstrar a insatisfação dos estudantes com a portaria 034, imposta pela reitoria da nossa universidade. A manifestação contou com a participação do DANUT e demais entidades de representação estudantil como o DCE e outros DA’s e CA’s .

A portaria 034 lançada pela reitoria no dia 20 de abril de 2011, proíbe a realização de festas, a comercialização de bebidas alcoólicas e restringe a entrada da comunidade externa na universidade após às 21 horas.

Sabemos que a falta de segurança atinge toda comunidade acadêmica, mais acreditamos que as festas não são a real causa dos atentados violentos que ocorrem dentro do campus. Essa atitude, mais uma vez, representa a forma antidemocrática e repressora da reitoria em agir diante de um problema.

Consideramos que a Universidade Federal de Minas Gerais pela sua importância social deve ser exemplo de democracia, assegurando o livre acesso ao campus, não impondo horários a sociedade para acessar suas dependências.  O que a presente portaria sugere não é a segurança de fato, mas sim a ocultação de um propósito maior que está embutido em suas entrelinhas.

Somos a favor da regulamentação das festas no campus, pela contratação de seguranças capacitados e treinados para atuar de forma íntegra em nossa defesa e, claro, de uma universidade para todos!!!


Texto escrito por: Ana Lú, Júlia e Thayana.

domingo, 8 de maio de 2011

DANUTÍCIA - EDIÇÃO 0I | MAIO DE 2011

O que é o DANUT?

É o Diretório Acadêmico de Nutrição, entidade máxima de representação dos estudantes de Nutrição da UFMG, que tem como atribuição a defesa dos interesses de todos estudantes .  Criado para que os alunos possam reivindicar seus direitos e dar sugestões sobre as condições de ensino e infra-estrutura oferecidas pela Universidade.
Através dos representantes do Diretório Acadêmico (DA), os estudantes podem tirar dúvidas sobre todas as questões referentes à sua vida acadêmica e encaminhar propostas em defesa dos interesses estudantis, o DA também garante a representação discente em Órgãos deliberativos e no Conselho Universitário. É bom lembrar que o DA também deve incentivar eventos culturais e esportivos para proporcionar lazer aos estudantes.
 Resultado das eleições    
        
As eleições ocorreram nos dias 05 e 06 de Abril de 2011, contou com a participação de 52,68% dos alunos regularmente matriculados no curso de graduação em Nutrição desta Universidade, componentes do corpo social do diretório. Destes, 100% votaram na chapa única concorrente denominada “NutriAção – Nada será como antes”.

Esse resultado se mostrou bastante expressivo visto que houve uma participação significativa dos estudantes, mostrando a necessidade de uma gestão que represente de fato todos estudantes.

Quem somos
             
Nossa gestão é formada por alunos do 1° ao 8° período do curso de Nutrição, comprometidos com a melhoria do nosso curso e da universidade. Alunos estes envolvidos com projetos científicos, e de extensão além de participarem ativamente no Movimento Estudantil Nacional, um grupo misto a fim de representar todo corpo social.
Presidência : Aline Braga (7° período)

Vice Presidência: Ana Luiza Soares (3° período)

Secretária Geral: Érika Rosa (3° período) e Rana Agarriberri
(3° período)

Tesouraria: Júlia Pessoa (3° período)

Secretaria política: Daniella Bruno (4° período) e Juliana
Prodoscimi (8°período)

Secretária esportiva: Erica Ferreira (3°período), Lícia Torres
(3° período) e Hebert Sagbo (5° período)

Secretaria científica: Thayana Oliveira (3° período), Taciana Maia (3° período) e Raquel Figueiredo ( 3° período)

Secretária de comunicação: Joyce (1° período) e Fernanda Mota(7° período)



 Você sabe o que ela significa?
 Aguardem nosso próximo boletim informativo...

Gestão NutriAção - Nada Será Como Antes!